OMS emite alerta global sobre zika vírus e reconhece relação com microcefalia
Entidade menciona estudo brasileiro do Instituto Evandro Chagas e afirma que 'há definitivamente conexão' entre zika e má formação do cérebro, ainda que não seja necessariamente relação de causalidade.
A Organização Mundial de Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde emitiram nesta terça-feira (1º) um alerta mundial sobre a epidemia de zika vírus.
No comunicado aos países-membros, a organização pede que eles estabeleçam capacidade de diagnóstico da doença e que se preparem para um aumento no número de casos reforçando o atendimento pré-natal e neurológico. O comunicado da organização reconheceu pela primeira vez oficialmente a relação entre o Zika Vírus e os casos de microcefalia ao mencionar o estudo brasileiro do Instituto Evandro Chagas, que revelou a presença do vírus em um bebê microcéfalo.
"Há definitivamente uma conexão", afirmou à BBC Brasil em entrevista telefônica o especialista da organização, Dr. Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças comunicáveis da Organização Pan-Americana de Saúde.
O documento divulgou mapas comparativos de 2014 e 2015, que corroboram a explosão de casos de microcefalia no Nordeste, onde os casos se multiplicaram 20 vezes.
"Há uma conexão entre as duas coisas, mas causalidade é uma outra história. Não podemos dizer 100% que é só o zika vírus a causa da microcefalia, ela pode ser atribuída a diversas questões. Há uma conexão porque há um evidente aumento nos casos de microcefalia no Brasil ao mesmo tempo em que há um surto de zika no país."
Nove países
Segundo a OMS, somente neste ano foram confirmados casos de zika em nove países das Américas. Brasil, Chile - na ilha de Páscoa -, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.
Segundo a OMS, somente neste ano foram confirmados casos de zika em nove países das Américas. Brasil, Chile - na ilha de Páscoa -, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.
Gravidez
O documento da OMS não faz menção ao uso do controle de natalidade como modo de evitar os casos de microcefalia. A organização recomenda no entanto que grávidas evitem o contato com o mosquito transmissor.
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OSB + Lenine | Teatro Luiz Mendonça
Um dos maiores ídolos da música brasileira contemporânea, o cantor e compositor Lenine foi o convidado especial do concerto ao ar livre que a OSB apresentou no dia 20 de outubro de 2013 no Parque Dona Lindu (Teatro Luiz mendonça), em Recife.
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| Foto: Dayison Nunes/JC Imagem |
Representante da diversidade rítmica e cultural do Pernambuco, Lenine é autor de sucessos como Jack Soul Brasileiro e Leão do Norte, que está no repertório do espetáculo. O evento, foi promovido para celebrar os 60 anos do Grupo Queiroz Galvão, patrocinador da Fundação OSB, trará também obras sinfônicas: a abertura da ópera Russlan e Ludmilla, de Glinka, e a vigorosa Suíte O Pássaro de Fogo, de Igor Stravinsky.
A morte do velho Kipacaça | Boaventura Cardoso
Peça gráfica integrante da exposição e mostra literária
Herberto Helder | Se Houvesse Degraus na Terra... | Projeto Voz Lírica
Projeto "Voz Lírica" - dos alunos de Licenciatura Plena em Letras/espanhol da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Recitado pela discente: Fabiana Esteves
Disciplina: Tradições Líricas da Literatura portuguesa
Orientador: Antony Cardoso Bezerra
"Se Houvesse Degraus na Terra..."
Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.
Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.
Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.
Cesário Verde | Desastre | Projeto Voz Lírica
Projeto "Voz Lírica" - dos alunos de Licenciatura Plena em Letras/espanhol da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Recitado pelo docente: Antony Cardoso Bezerra
Disciplina: Tradições Líricas da Literatura portuguesa
Orientador: Antony Cardoso Bezerra
"Desastre"
Ele ia numa maca, em ânsias, contrafeito,
Soltando fundos ais e trêmulos queixumes;
Caíra dum andaime e dera com o peito,
Pesada e secamente, em cima duns tapumes.
A brisa que balouça as árvores das praças,
Como uma mãe erguia ao leito os cortinados,
E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
Trazendo em sangue negro os membros ensopados.
Um preto, que sustinha o peso dum varal,
Chorava ao murmurar-lhe: "Homem não desfaleça!"
E um lenço esfarrapado em volta da cabeça,
Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.
.......................................................................
Findara honrosamente. As lutas, afinal,
Deixavam repousar essa criança escrava,
E a gente da província, atônita, exclamava:
"Que providências! Deus! Lá vai para o hospital!"
Por onde o morto passa há grupos, murmurinhos;
Mornas essências vêm duma perfumaria,
E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
Numa travessa escura em que não entra o dia!
Um fidalgote brada e duas prostitutas:
"Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!"
Bisonhos, devagar, passeiam uns recrutas
E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.
Era enjeitado, o pobre. E, para não morrer,
De bagas de suor tinha uma vida cheia;
Levava a um quarto andar cochos de cal e areia,
Não conhecera os pais, nem aprendera a ler.
.......................................................................
O mísero a doença, as privações cruéis
Soubera repelir - ataques desumanos!
Chamavam-lhe garoto! E apenas com seis anos
Andara a apregoar diários de dez-réis.
Anoitecera então. O féretro sinistro
Cruzou com um coupé seguido dum correio,
E um democrata disse: "Aonde irás, ministro!
Comprar um eleitor? Adormecer num seio"?
E eu tive uma suspeita. Aquele cavalheiro,
- Conservador, que esmaga o povo com impostos -,
Mandava arremessar - que gozo! estar solteiro! -
Os filhos naturais à roda dos expostos...
Janta | Raul Colaço
por Raul Colaço
a primeira vez
a gente nunca esquece
aquele chá
e o sanduíche de lamber
os beiços
e os dedos
x-biu
As Mulheres do meu pai | José Eduardo Agualusa
Peça gráfica integrante da exposição e mostra literária
Falha de Comunicação | Bear
Web Quadrinhos do site BEAR
Clique na imagem para vê-la no tamanho original!
Essa tirinha é parte integrante da WebComic BEAR,
que é publicada semanalmente as terças-feiras, acompanhe essa linda história!
Essa tirinha é parte integrante da WebComic BEAR,
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António Nobre | O Teu Retrato | Projeto Voz Lírica
Projeto "Voz Lírica" - dos alunos de Licenciatura Plena em Letras/espanhol da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Recitado pela discente: Amanda Bioni
Disciplina: Tradições Líricas da Literatura portuguesa
Orientador: Antony Cardoso Bezerra
"O Teu Retrato"
Deus fez a noite com o teu olhar,
Deus fez as ondas com os teus cabelos;
com a tua coragem fez castelos
Que pôs, como defesa, à beira-mar.
Com um sorriso teu, fez o luar
(Que é sorriso de noite, ao viandante)
E eu que andava pelo mundo, errante,
Já não ando perdido em alto mar!
Do céu de Portugal fez a tua alma!
E ao ver-te sempre assim, tão pura e calma,
Da minha noite, eu fiz a claridade!
Ó meu anjo de luz e de esperança,
Será em ti afinal que descansa
O triste fim da minha mocidade!
Aqueles dias | Kristopher Kim
por Kristopher Kim
- Tem dias em que nada dá certo, tem dias que tudo dá errado,
e existem coisas que ninguém merecia ter passado:
um amor perdido,
um bar fechado,
encontrar com bandido,
e um violão desafinado.
Bem, pior poderia ter sido,
o lápis poderia estar desapontado...
A peleja do cego Aderaldo com o Zé pretinho
A PELEJA DO CEGO ADERALDO COM ZÉ PRETINHO
Cego Aderaldo- (Aderaldo Ferreira de Araújo)
Apreciem meus leitores
Uma forte discussão
que tive com Zé Pretinho
Um cantador do sertão
O qual no tanger do verso
Vencia qualquer questão
Um dia determinei
A sair do Quixadá
Uma das belas cidades
Do estado do Ceará
Fui até ao Piauí
Ver os cantores de lá
Hospedei-me em Pimenteira
Depois em Alagoinha
Cantei em Campo Maior
No Angico e na Baixinha
De lá tive um convite
Pra cantar na Varzinha
Quando cheguei na Varzinha
Foi de manhã bem cedinho
Então o dono da casa
Me perguntou sem carinho:
Cego, você não tem medo
Da fama de Zé Pretinho?
Eu lhe disse: Não senhor
Mas da verdade eu não zombo
Mande chamar esse preto
Que eu quero dar-lhe um tombo
Ele vindo um de nós dois
Hoje há de arder o lombo
O dono da casa disse:
Zé Preto pelo comum
Dá em dez ou vinte cegos
Quanto mais sendo só um;
Mandou ao Macumanzeiro
Chamar José do Tucum
Chamou um dos filhos e disse
Meu filho, você vá já
Dizer a José Pretinho
Que desculpe eu não ir lá
E ele como sem falta
À noite venha por cá
Em casa do tal Pretinho
Foi chegando o portador
Foi dizendo: Lá em casa
Tem um cego cantador
E meu pai manda dizer
Que vá tirar-lhe o calor
Zé Pretinho respondeu:
- Bom amigo é quem avisa
Menino, dizei ao cego
Que vá tirando a camisa
Mande benzer logo o lombo
Que eu vou dar-lhe uma pisa
Tudo zombava de mim
Eu ainda não sabia
Que o tal José Pretinho
Vinha para a cantoria
Às cinco horas da tarde
Chegou a cavalaria
O preto vinha na frente
Todo vestido de branco
Seu cavalo encapotado
Com um passo muito franco
Riscaram de uma só vez
Todos no primeiro arranco
Saudaram o dono da casa
Todos com muita alegria
O velho bem satisfeito
Folgava alegre e sorria
Vou dar o nome do povo
Que veio pra cantoria
Vieram o capitão Duda
Tonheiro Pedro Galvão
Augusto Antônio Feitosa
Francisco Manuel Simão
Senhor José Carpinteiro
Francisco e Pedro Aragão
O José da Cabeceira
E seu Manuel Casado
Chico Lopes, Pedro Rosa
E Manuel Bronzeado
Antônio Lopes de Aquino
E um tal de Pé Furado
José Antônio de Andrade
Samuel e Jeremias
Senhor Manuel Tomás
Manduca João de Ananias
E veio o vigário velho
Cura de três freguesias
Foi dona Meridiana
Do grêmio das professoras
Essa levou duas filhas
Bonitas e encantadoras
Essas eram da igreja
As mais exímias cantoras
Foi também Pedro Martins
Alfredo e José Raimundo
Senhor Francisco Palmeira
João Sampaio Secundo
E um grupo de rapazes
Do batalhão vagabundo
Levaram o negro pra sala
E depois para a cozinha
Lhe ofereceram um jantar
De doce, queijo e galinha
Para mim veio um café
Com uma magra bolachinha
Depois trouxeram o negro
E colocaram no salão
Assentado num sofá
Com a viola na mão
Junto a uma escarradeira
Para não cuspir no chão
Ele tirou a viola
Dum saco novo de chita
E cuja viola estava
Toda enfeitada de fita
Ouvi as moças dizendo:
Grande viola bonita!
Então para me sentar
Botaram um pobre caixão
Já velho desmantelado
Desses que vem com sabão
Eu sentei, ele envergou
E me deu um beliscão
Eu tirei a rabequinha
Dum pobre saco de meia
Um pouco desconfiado
Por está em terra alheia
Ouvi as moças dizendo:
Meu Deus, que rabeca feia!
Um disse a Zé Pretinho:
A roupa do cego é suja
Botem três guardas na porta
Para que ele não fuja
Cego feio assim de óculos
Só parece uma coruja
Dissera o capitão Duda
Como homem mui sensato
Vamos fazer uma bolsa
Botem dinheiro no prato
Que é mesmo que botar
Manteiga em venta de gato
Disse mais: eu quero ver
Pretinho espalhar os pés
E para os dois cantores
Tirei setenta mil réis
Mas vou inteirar oitenta
Da minha parte dou dez
Me disse o capitão Duda
– Cego, você não estranha
Este dinheiro do prato
Eu vou lhe dizer quem ganha
Pertence ao vencedor
Nada leva quem apanha
Nisto as moças disseram:
Já tem oitenta mil réis
Porque o capitão Duda
Da parte dele deu dez
Se encostaram a Zé Pretinho
E botaram mais três anéis
Então disse Zé Pretinho:
De perder não tenho medo
Este cego apanha logo
Falo sem pedir segredo
Tendo isto como certo
Botou os anéis no dedo
Afinemos os intrumentos
Entremos em discussão
O meu guia disse a mim:
O negro parece o cão
Tenha cuidado com ele
Quando entrar em questão
Eu lhe disse: seu José
Sei que o senhor tem ciência
Parece que és dotado
Da Divina Providência
Vamos saudar o povo
Com a justa excelência
P- Sai daí, cego amarelo
Cor de ouro de toucinho
Um cego da tua forma
Chama-se abusa vizinho
Aonde eu botar os pés
Cego não bota o toucinho
C- Já vi que seu Zé Pretinho
É um homem sem ação
Como se maltrata outro
Sem haver alteração
Eu pensava que o senhor
Possuísse educação
P- Esse cego bruto hoje
Apanha que fica roxo
Cara de pão de cruzado
Testa de carneiro mocho
Cego, tu és um bichinho
Que quando come vira o cocho
C- Seu José, o seu cantar
Merece ricos fulgores
Merece ganhar na sala
Rosas e trovas de amores
Mais tarde as moças lhe dão
Bonitas palmas de flores
P- Cego, creio que tu és
Da raça do sapo sunga
Cego não adora a Deus
O Deus de cego é calunga
Aonde os homens conversam
O cego chega e resmunga
C- Zé Preto não me aborreça
Com o teu cantar ruim
O homem que canta bem
Não trabalha em verso assim
Tirando as faltas que tem
Botando em cima de mim
P- Cala-te cego ruim
Cego aqui não faz figura
Cego quando abre a boca
É uma mentira pura
O cego quanto mais mente
Inda mais sustenta a jura
C- Esse negro foi escravo
Por isso é tão positivo
Quer ser na sala de branco
Exagerado e ativo
Negro da canela seca
Todo ele foi cativo
P- Dou-te uma surra
De cipó de urtiga
Furo-te a barriga
Mais tarde tu urra
Hoje o cego esturra
Pedindo socorro
Sai dizendo: eu morro
Meus Deus que fadiga
Por uma intriga
Eu de medo corro…
C- Se eu der um tapa
Num negro de fama
Ele come lama
Dizendo que é papa
Eu rompo-lhe o mapa
Lhe rasgo de espora
O negro hoje chora
Com febre e com íngua
Eu deixo-lhe a língua
Com um palmo de fora
P- No sertão eu peguei
Um cego malcriado
Danei-lhe o machado
Caiu eu sangrei
O couro eu tirei
Em regra de escala
Espichei numa sala
Puxei para um beco
E depois dele seco
Fiz mais de uma malha
C- Negro és monturo
Molambo rasgado
Cachimbo apagado
Recanto de muro
Negro sem futuro
Perna de tição
Boca de porão
Beiço de gamela
Venta de moela
Moleque ladrão
P- Vejo a cousa ruim
O cego está danado
Cante moderado
Eu não quero assim
Olhe pra mim
Que sou verdadeiro
Sou bom companheiro
Cante sem maldade
Eu quero a metade
Cego, do dinheiro
C- Nem que o negro seque
A engolideira
Peça a noite inteira
Que eu não lhe abreque
Mas este moleque
Hoje dá pinote
Boca de bispote
Venta de boieiro
Tu queres dinheiro
Eu dou-te chicote
P- Cante mais moderno
Perfeito e bonito
Como tenho escrito
Cá no meu caderno
Sou seu subalterno
Embora estranho
Creio que apanho
E não dou um caldo
Te peço, Aderaldo
Reparta do ganho
C- Negro é raiz
Que apodreceu
Casco de judeu
Moleque infeliz
Vai pra teu país
Senão eu te surro
Dou-te até de murro
Tiro-te o regalo
Cara de cavalo
Cabeça de burro
P- Fala doutro jeito
Com melhor agrado
Seja delicado
Cante mais perfeito
Olhe, eu não aceito
Tanto desespero
Cante mais maneiro
Com versos capaz
Façamos a paz
Reparta o dinheiro
C- Negro careteiro
Eu rasgo-te a giba
Cara de guariba
Pajé feiticeiro
Queres dinheiro
Barriga de angu
Barba de quandu
Camisa de saia
Te deixo na praia
Escovando urubu
P- Eu vou mudar de toada
Para uma que mete medo
Nunca achei um cantor
Que desmanchasse esse enredo
É um dedo é um dado é um dia
É um dia é um dado é um dedo
C- Zé Preto este teu enredo
Te serve de zombaria
Tu hoje cegas de raiva
O diabo será teu guia
É um dia é um dado é um dedo
É um dedo é um dado é um dia
P- Cego respondestes bem
Como se estivesse estudado
Eu também de minha parte
Canto verso aprumado
É um dedo é um dado é um dia
É um dia é um dedo é um dado
C- Vamos lá, José Pretinho
Que eu já perdi o medo
Sou bravo como o leão
Sou forte como o penedo
É um dedo é um dado é um dia
É um dia é um dado é um dedo
P- Cego agora puxa uma
Das tuas belas toadas
Para ver se essas moças
Dão algumas gargalhadas
Quase todo o povo ri
Só as moças estão caladas
C- Amigo José Pretinho
Eu não sei o que será
De você no fim da luta
Porque vencido já está
– Quem a paca cara compra
A paca cara pagará
P- Cego, estou apertado
Que só um pinto no ovo
Estás cantando aprumado
E satisfazendo ao povo
Este seu lema da paca
Por favor cante de novo
C- Digo uma e digo dez
No cantar não tenho pompa
Presentemente não acho
Quem o meu mapa rompa
Paca cara pagará
Quem a paca cara compra
P- Cego, teu peito é de aço
Foi bom ferreiro que fez
Pensei que o cego não tinha
No verso tal rapidez
Cego, se não for massada
Repita a paca outra vez
C- Arre com tanta pergunta
deste negro capivara
Não há quem cuspa pra cima
Que não lhe caia na cara
– Quem a paca cara compra
Pagará a paca cara
P- Agora cego me ouça
Cantarei a paca já
Tema assim é um borrego
No bico de um carcará
Quem a cara cara compra
Caca caca Cacará
Houve um trovão de risadas
Pelo verso do Pretinho
O capitão Duda disse:
Arrede, pra lá negrinho
Vai descansar teu juízo
O cego canta sozinho
Ficou vaiado o Pretinho
Aí eu lhe disse: me ouça
José, quem canta comigo
Pega devagar na louça
Agora o amigo entregue
O anel de cada moça
Desculpe José Pretinho
Se não cantei a seu gosto
Negro não tem pé, tem gancho
Não tem cara tem é rosto
Negro na sala de branco
Só serve pra dar desgosto
Quando eu fiz estes versos
Com a minha rabequinha
Procurei o negro na sala
Já estava na cozinha
De volta queria entrar
Na porta da camarinha.
Cego Aderaldo- (Aderaldo Ferreira de Araújo)
Apreciem meus leitores
Uma forte discussão
que tive com Zé Pretinho
Um cantador do sertão
O qual no tanger do verso
Vencia qualquer questão
Um dia determinei
A sair do Quixadá
Uma das belas cidades
Do estado do Ceará
Fui até ao Piauí
Ver os cantores de lá
Hospedei-me em Pimenteira
Depois em Alagoinha
Cantei em Campo Maior
No Angico e na Baixinha
De lá tive um convite
Pra cantar na Varzinha
Quando cheguei na Varzinha
Foi de manhã bem cedinho
Então o dono da casa
Me perguntou sem carinho:
Cego, você não tem medo
Da fama de Zé Pretinho?
Eu lhe disse: Não senhor
Mas da verdade eu não zombo
Mande chamar esse preto
Que eu quero dar-lhe um tombo
Ele vindo um de nós dois
Hoje há de arder o lombo
O dono da casa disse:
Zé Preto pelo comum
Dá em dez ou vinte cegos
Quanto mais sendo só um;
Mandou ao Macumanzeiro
Chamar José do Tucum
Chamou um dos filhos e disse
Meu filho, você vá já
Dizer a José Pretinho
Que desculpe eu não ir lá
E ele como sem falta
À noite venha por cá
Em casa do tal Pretinho
Foi chegando o portador
Foi dizendo: Lá em casa
Tem um cego cantador
E meu pai manda dizer
Que vá tirar-lhe o calor
A partir daqui, dê o play no vídeo abaixo:
Zé Pretinho respondeu:
- Bom amigo é quem avisa
Menino, dizei ao cego
Que vá tirando a camisa
Mande benzer logo o lombo
Que eu vou dar-lhe uma pisa
Tudo zombava de mim
Eu ainda não sabia
Que o tal José Pretinho
Vinha para a cantoria
Às cinco horas da tarde
Chegou a cavalaria
O preto vinha na frente
Todo vestido de branco
Seu cavalo encapotado
Com um passo muito franco
Riscaram de uma só vez
Todos no primeiro arranco
Saudaram o dono da casa
Todos com muita alegria
O velho bem satisfeito
Folgava alegre e sorria
Vou dar o nome do povo
Que veio pra cantoria
Vieram o capitão Duda
Tonheiro Pedro Galvão
Augusto Antônio Feitosa
Francisco Manuel Simão
Senhor José Carpinteiro
Francisco e Pedro Aragão
O José da Cabeceira
E seu Manuel Casado
Chico Lopes, Pedro Rosa
E Manuel Bronzeado
Antônio Lopes de Aquino
E um tal de Pé Furado
José Antônio de Andrade
Samuel e Jeremias
Senhor Manuel Tomás
Manduca João de Ananias
E veio o vigário velho
Cura de três freguesias
Foi dona Meridiana
Do grêmio das professoras
Essa levou duas filhas
Bonitas e encantadoras
Essas eram da igreja
As mais exímias cantoras
Foi também Pedro Martins
Alfredo e José Raimundo
Senhor Francisco Palmeira
João Sampaio Secundo
E um grupo de rapazes
Do batalhão vagabundo
Levaram o negro pra sala
E depois para a cozinha
Lhe ofereceram um jantar
De doce, queijo e galinha
Para mim veio um café
Com uma magra bolachinha
Depois trouxeram o negro
E colocaram no salão
Assentado num sofá
Com a viola na mão
Junto a uma escarradeira
Para não cuspir no chão
Ele tirou a viola
Dum saco novo de chita
E cuja viola estava
Toda enfeitada de fita
Ouvi as moças dizendo:
Grande viola bonita!
Então para me sentar
Botaram um pobre caixão
Já velho desmantelado
Desses que vem com sabão
Eu sentei, ele envergou
E me deu um beliscão
Eu tirei a rabequinha
Dum pobre saco de meia
Um pouco desconfiado
Por está em terra alheia
Ouvi as moças dizendo:
Meu Deus, que rabeca feia!
Um disse a Zé Pretinho:
A roupa do cego é suja
Botem três guardas na porta
Para que ele não fuja
Cego feio assim de óculos
Só parece uma coruja
Dissera o capitão Duda
Como homem mui sensato
Vamos fazer uma bolsa
Botem dinheiro no prato
Que é mesmo que botar
Manteiga em venta de gato
Disse mais: eu quero ver
Pretinho espalhar os pés
E para os dois cantores
Tirei setenta mil réis
Mas vou inteirar oitenta
Da minha parte dou dez
Me disse o capitão Duda
– Cego, você não estranha
Este dinheiro do prato
Eu vou lhe dizer quem ganha
Pertence ao vencedor
Nada leva quem apanha
Nisto as moças disseram:
Já tem oitenta mil réis
Porque o capitão Duda
Da parte dele deu dez
Se encostaram a Zé Pretinho
E botaram mais três anéis
Então disse Zé Pretinho:
De perder não tenho medo
Este cego apanha logo
Falo sem pedir segredo
Tendo isto como certo
Botou os anéis no dedo
Afinemos os intrumentos
Entremos em discussão
O meu guia disse a mim:
O negro parece o cão
Tenha cuidado com ele
Quando entrar em questão
Eu lhe disse: seu José
Sei que o senhor tem ciência
Parece que és dotado
Da Divina Providência
Vamos saudar o povo
Com a justa excelência
P- Sai daí, cego amarelo
Cor de ouro de toucinho
Um cego da tua forma
Chama-se abusa vizinho
Aonde eu botar os pés
Cego não bota o toucinho
C- Já vi que seu Zé Pretinho
É um homem sem ação
Como se maltrata outro
Sem haver alteração
Eu pensava que o senhor
Possuísse educação
P- Esse cego bruto hoje
Apanha que fica roxo
Cara de pão de cruzado
Testa de carneiro mocho
Cego, tu és um bichinho
Que quando come vira o cocho
C- Seu José, o seu cantar
Merece ricos fulgores
Merece ganhar na sala
Rosas e trovas de amores
Mais tarde as moças lhe dão
Bonitas palmas de flores
P- Cego, creio que tu és
Da raça do sapo sunga
Cego não adora a Deus
O Deus de cego é calunga
Aonde os homens conversam
O cego chega e resmunga
C- Zé Preto não me aborreça
Com o teu cantar ruim
O homem que canta bem
Não trabalha em verso assim
Tirando as faltas que tem
Botando em cima de mim
P- Cala-te cego ruim
Cego aqui não faz figura
Cego quando abre a boca
É uma mentira pura
O cego quanto mais mente
Inda mais sustenta a jura
C- Esse negro foi escravo
Por isso é tão positivo
Quer ser na sala de branco
Exagerado e ativo
Negro da canela seca
Todo ele foi cativo
P- Dou-te uma surra
De cipó de urtiga
Furo-te a barriga
Mais tarde tu urra
Hoje o cego esturra
Pedindo socorro
Sai dizendo: eu morro
Meus Deus que fadiga
Por uma intriga
Eu de medo corro…
C- Se eu der um tapa
Num negro de fama
Ele come lama
Dizendo que é papa
Eu rompo-lhe o mapa
Lhe rasgo de espora
O negro hoje chora
Com febre e com íngua
Eu deixo-lhe a língua
Com um palmo de fora
P- No sertão eu peguei
Um cego malcriado
Danei-lhe o machado
Caiu eu sangrei
O couro eu tirei
Em regra de escala
Espichei numa sala
Puxei para um beco
E depois dele seco
Fiz mais de uma malha
C- Negro és monturo
Molambo rasgado
Cachimbo apagado
Recanto de muro
Negro sem futuro
Perna de tição
Boca de porão
Beiço de gamela
Venta de moela
Moleque ladrão
P- Vejo a cousa ruim
O cego está danado
Cante moderado
Eu não quero assim
Olhe pra mim
Que sou verdadeiro
Sou bom companheiro
Cante sem maldade
Eu quero a metade
Cego, do dinheiro
C- Nem que o negro seque
A engolideira
Peça a noite inteira
Que eu não lhe abreque
Mas este moleque
Hoje dá pinote
Boca de bispote
Venta de boieiro
Tu queres dinheiro
Eu dou-te chicote
P- Cante mais moderno
Perfeito e bonito
Como tenho escrito
Cá no meu caderno
Sou seu subalterno
Embora estranho
Creio que apanho
E não dou um caldo
Te peço, Aderaldo
Reparta do ganho
C- Negro é raiz
Que apodreceu
Casco de judeu
Moleque infeliz
Vai pra teu país
Senão eu te surro
Dou-te até de murro
Tiro-te o regalo
Cara de cavalo
Cabeça de burro
P- Fala doutro jeito
Com melhor agrado
Seja delicado
Cante mais perfeito
Olhe, eu não aceito
Tanto desespero
Cante mais maneiro
Com versos capaz
Façamos a paz
Reparta o dinheiro
C- Negro careteiro
Eu rasgo-te a giba
Cara de guariba
Pajé feiticeiro
Queres dinheiro
Barriga de angu
Barba de quandu
Camisa de saia
Te deixo na praia
Escovando urubu
P- Eu vou mudar de toada
Para uma que mete medo
Nunca achei um cantor
Que desmanchasse esse enredo
É um dedo é um dado é um dia
É um dia é um dado é um dedo
C- Zé Preto este teu enredo
Te serve de zombaria
Tu hoje cegas de raiva
O diabo será teu guia
É um dia é um dado é um dedo
É um dedo é um dado é um dia
P- Cego respondestes bem
Como se estivesse estudado
Eu também de minha parte
Canto verso aprumado
É um dedo é um dado é um dia
É um dia é um dedo é um dado
C- Vamos lá, José Pretinho
Que eu já perdi o medo
Sou bravo como o leão
Sou forte como o penedo
É um dedo é um dado é um dia
É um dia é um dado é um dedo
P- Cego agora puxa uma
Das tuas belas toadas
Para ver se essas moças
Dão algumas gargalhadas
Quase todo o povo ri
Só as moças estão caladas
C- Amigo José Pretinho
Eu não sei o que será
De você no fim da luta
Porque vencido já está
– Quem a paca cara compra
A paca cara pagará
P- Cego, estou apertado
Que só um pinto no ovo
Estás cantando aprumado
E satisfazendo ao povo
Este seu lema da paca
Por favor cante de novo
C- Digo uma e digo dez
No cantar não tenho pompa
Presentemente não acho
Quem o meu mapa rompa
Paca cara pagará
Quem a paca cara compra
P- Cego, teu peito é de aço
Foi bom ferreiro que fez
Pensei que o cego não tinha
No verso tal rapidez
Cego, se não for massada
Repita a paca outra vez
C- Arre com tanta pergunta
deste negro capivara
Não há quem cuspa pra cima
Que não lhe caia na cara
– Quem a paca cara compra
Pagará a paca cara
P- Agora cego me ouça
Cantarei a paca já
Tema assim é um borrego
No bico de um carcará
Quem a cara cara compra
Caca caca Cacará
Houve um trovão de risadas
Pelo verso do Pretinho
O capitão Duda disse:
Arrede, pra lá negrinho
Vai descansar teu juízo
O cego canta sozinho
Ficou vaiado o Pretinho
Aí eu lhe disse: me ouça
José, quem canta comigo
Pega devagar na louça
Agora o amigo entregue
O anel de cada moça
Desculpe José Pretinho
Se não cantei a seu gosto
Negro não tem pé, tem gancho
Não tem cara tem é rosto
Negro na sala de branco
Só serve pra dar desgosto
Quando eu fiz estes versos
Com a minha rabequinha
Procurei o negro na sala
Já estava na cozinha
De volta queria entrar
Na porta da camarinha.
E para fechar com chave de ouro,
a homenagem de Luiz Gonzaga ao Cego Aderaldo:
a homenagem de Luiz Gonzaga ao Cego Aderaldo:
Pedra Filosofal | António Gedeão | Projeto Voz Lírica
Projeto "Voz Lírica" - dos alunos de Licenciatura Plena em Letras/espanhol da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Recitado pela discente: Maria Lúcia Silva
Disciplina: Tradições Líricas da Literatura portuguesa
Orientador: Antony Cardoso Bezerra
Disciplina: Tradições Líricas da Literatura portuguesa
Orientador: Antony Cardoso Bezerra
"Pedra Filosofal"
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultrassom, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
Às Vezes | Álvaro de Campos | Projeto Voz Lírica
Projeto "Voz Lírica" - dos alunos de Licenciatura Plena em Letras/espanhol da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Recitado pela discente: Wedja Maria
Disciplina: Tradições Líricas da Literatura portuguesa
Orientador: Antony Cardoso Bezerra
Recitado pela discente: Wedja Maria
Disciplina: Tradições Líricas da Literatura portuguesa
Orientador: Antony Cardoso Bezerra
"Às Vezes"
Às vezes tenho ideias, felizes,
Ideias subitamente felizes, em ideias
E nas palavras em que naturalmente se despejam...
Depois de escrever, leio...
Porque escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...
Filhos do Fim do Mundo | Fábio Barreto
A escrita do Fábio
M. Barreto possui um enorme poder de conquista. Mesmo gostando muito de ler,
sempre tenho um período de “convencimento”, que normalmente dura uns dois capítulos, mas, em “Filhos do Fim do Mundo”, a trama lhe cativa nas primeiras
páginas, aliás, eu já havia sido pego pela sinopse do livro, quando ouvi no Rapaduracast.
# Sinopse
# Sinopse
Quando as crianças do mundo param de nascer, um repórter se prepara para a sua última matéria sobre o começo do fim do mundo. É meia-noite quando a humanidade é surpreendida pela notícia: todas as crianças nascidas nos últimos 12 meses morreram misteriosamente. Descobrem também que plantas e filhotes também morreram. Um repórter responsável por cobrir os eventos preparativos para o fim do mundo, deixa sua esposa grávida em casa, partindo para uma perigosa missão investigativa, em que terá de enfrentar grandes desafios para proteger aqueles que ama. Em Filhos do fim do mundo, acompanhamos a saga de um repórter tentando se equilibrar entre sua função de pai e jornalista em meio ao caos pré- apocalipse. As catástrofes se misturam com a tensão psicológica do personagem em um envolvente romance que vai encantar os amantes de ficção
Gostei muito
da maneira que o leitor é inserido na história, a mil por hora, no meio do turbilhão de acontecimentos, dividindo o sentimento de
ansiedade e questionamentos com o personagem principal, “o repórter”. Isso
mesmo, “o repórter”, os personagens são apresentados dessa maneira, sem nomes, através de arquétipos, identificados por seus cargos ou ações mais relevantes. Assim, somos apresentados ao Padre, o Diretor, o Engravatado, a esposa do repórter, a
filha do governador, o blogueiro... e assim vai. O que a princípio pode parecer confuso ou
até mesmo levar o leitor a pensar que isso é uma falta de identidade, é na
verdade um recurso usado na construção da narrativa, que dá agilidade a leitura e aproxima o leitor de
personagens reais do cotidiano, onde você acaba de forma involuntária,
construindo a identidade dos personagens do livro juntamente com o autor.
O vocabulário do
livro é simples (sem ser pobre), não tem muitas firulas ou expressões estranhas
ao nosso dia a dia, o que torna a leitura fluida e prazerosa. É impossível não
perceber a linguagem cinematográfica, que o cineasta Fábio M. Barreto, insere
em seu livro: as composições das cenas, com os diálogos com “cortes” rápidos,
em meio a interação dos personagens com
os ambientes, tudo contribuindo em favor da idealização dos cenários pela
imaginação do leitor.
Os questionamentos surgem a todo momento, em meio a tantos conflitos morais e psicológicos presentes nos personagens, e acabam provocando a participação do leitor.
Os questionamentos surgem a todo momento, em meio a tantos conflitos morais e psicológicos presentes nos personagens, e acabam provocando a participação do leitor.
Se dividirmos o
livro em três grandes partes, o início (quando os acontecimentos são percebidos
pela população), o meio (com as viagens do repórter), e o final (o fechamento
da trama); de negativo no livro, eu senti esse período em que o repórter viaja em busca de evidências, achei pouco consistente; de vez em quando eu me
pegava perdido em meio as acontecimentos. Não sei se tive essa impressão por
que achei o início e o final do livro muito bons, e acabei diminuindo a importância dessa
parte intermediária. Como só fiz a primeira leitura, quero dedicar mais atenção
a essa parte na futura segunda leitura.
A maneira como
são conduzidos os acontecimentos finais é eletrizante: doses de angustia,
intercaladas com doses revigorantes de esperança, gerando picos de tensão e alívio, conduzindo magistralmente
o leitor a um final arrasador. Vale citar, que em alguns momentos, tive
sensações próximas ao que senti lendo “Eu sou a lenda”, obra de Richard Matheson, que em vários momentos, através da narrativa, te aproxima da sensação claustrofóbica e angustiante vivida pelos personagem.

Filhos do Fim do Mundo, Fábio M. Barreto - Fantasy (Casa da Palavra)
Curta inspirado no prólogo do livro
SOS Hollywood - Blog do Fábio Barreto (@soshollywood)
Entrevista com o autor no IRADEX podcast
Filhos do Fim do Mundo - no Skoob

Filhos do Fim do Mundo, Fábio M. Barreto - Fantasy (Casa da Palavra)
Curta inspirado no prólogo do livro
SOS Hollywood - Blog do Fábio Barreto (@soshollywood)
Entrevista com o autor no IRADEX podcast
Filhos do Fim do Mundo - no Skoob






















