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Às Vezes | Álvaro de Campos | Projeto Voz Lírica
Projeto "Voz Lírica" - dos alunos de Licenciatura Plena em Letras/espanhol da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Recitado pela discente: Wedja Maria
Disciplina: Tradições Líricas da Literatura portuguesa
Orientador: Antony Cardoso Bezerra
Recitado pela discente: Wedja Maria
Disciplina: Tradições Líricas da Literatura portuguesa
Orientador: Antony Cardoso Bezerra
"Às Vezes"
Às vezes tenho ideias, felizes,
Ideias subitamente felizes, em ideias
E nas palavras em que naturalmente se despejam...
Depois de escrever, leio...
Porque escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...
DUOS - Música Instrumental Brasileira
Trechos de algumas apresentações do projeto DUOS, realizado pela Página 21 com patrocínio do Ministério da Cultura e dos Correios no Centro Cultural Correios, no Recife, no mês de outubro.A proposta principal do projeto é unir dois músicos que nunca tocaram juntos, onde o o músico local recebe um músico de outro estado, ensaiam uma única vez e partem para uma jam session ao vivo. Uma das coisas mais legais é a mistura de instrumentos inusitados, como pandeiro e trombone!
Confira as virtuosas duplas que se apresentaram no Centro Cultural Correios:
Quinta-feira, 3 de outubro
Marcos Suzano - Pandeiro (RJ) e Nilsinho Amarante - Trombone (PE)
Sexta-feira, 4 de outubro
Bruno Patrício - Sax (DF) e Rafael Marques - Bandolim (PE)
Sábado, 5 de outubro
Paulo Braga - Piano (SP) e Marcos Mendes - Contra Baixo (PE)
Quinta-feira, 17 de outubro
Lui Coimbra - Violoncello (RJ) e Vinícius Sarmento - Violão 7 cordas (PE)
Sexta-feira, 18 de outubro
Sérgio Morais - Flauta (DF) e Júlio César - Acordeon (PE)
Sábado, 19 de outubro
Sérgio Cassiano - Percussão (PE) e Adelmo Arcoverde - Viola de 10 cordas
O Voo | Djan Alves
por Djan Alves
O Albatroz dá um rasante em pleno mar aberto...
( - O limiar do meu corpo se abre vulnerável...
O mar já não basta...
A tempestade Sangra dentro e fora de mim.
O limiar do meu corpo pulsa
arde
pulsa)
Ali, o marinheiro retira seu quepe observando...
Os assobios dos ventos passam e nada falam.
Do lado de fora tudo é lindo, leve e fácil...
O marinheiro adentra em mar aberto e seu peito dentro Sangra.
(Ingênuo quem pensa que coração de navegante não sangra)
O cheiro da maré embriaga, encanta, vicia
As narinas já compreendem.
Às vezes, quando o céu se encinzece, as nuvens se amontoam e pesam sobre os homens errantes do mar, todos eles crêem na finitude da vida porque os ventos se alimentam do medo deles
os ventos criam forças.
Os ventos fortes engolem os homens;
Rasgam suas peles,
mas esses ventos não dilaceram seus corações, pois os lobos do mar já deixaram seu peito (de ardor) em terra firme.
Na verdade, os fortes ventos trazem a paz existencial que os homens tanto precisam...
A tempestade cresce com agonia e caos... Porém a dor maior sempre fica no último porto:
( - Não se preocupe...
Nenhum marinheiro experiente morre; nenhum navegante bom se afoga.
O mar lembra de quem tem Paixão no peito...
O mar é parte de mim; assim como tenho mãos, tenho mar.)
O limiar do corpo se abre, pulsa
sangra
pulsa
Os ventos acariciam o rosto dos homens e rasga o peito dos bravos
depois é Torpor...
O mar fascina e atrai.
Alimentado por completo, o vento está.
Ameniza
Há brandura de uma violência inocente
A ave paira rasante...
Sim!
Navegante do mar não morre, transmuta-se em Albatroz Errante.
(PS: a proposta em postar o vídeo com o meu texto é explicar que, pra mim, a música inspirou no processo de criação desse texto... mas escutar ou não quem decide é o leitor. )